Extracto de "Do Balão ao Pára-Quedas"

com o subtitulo: “O Processo Inventivo numa perspectiva Histórica e Analítica”
por Dutra de Lacerda ano de 2002

1 - Introdução
“O Homem sonha, a Obra nasce”.

Desde sempre o Homem sonha… Alguns homens e mulheres são privilegiados nessa característica ao ponto de parecer viverem fora do seu Tempo. São visionários vistos pelos seus conterrâneos ora como loucos ora como génios, por vezes ambos, dependendo do seu estatuto social local e a sua (in)abilidade de (con)viver com esses seus atributos.
A par da presença constante, de sempre, destes personagens revelados por um meio favorável é também de realçar a referência no imaginário de muitas civilizações: Construções Fabulosas, Máquinas Fantásticas, Objectos Mágicos.
Estes são como que a recordação de um Periodo de Ouro, que todas as civilizações referem (sobretudo as mais antigas), ou como simples representação de fértil imaginação. Mas não nos esqueçamos de Schlieman como caso exemplar e da sua descoberta (a mítica cidade de Troia). Em todo o caso teremos sempre de nos questionar sobre tudo como um todo e sobre os seus processos, interligados … para poder Compreender! O método do isolamento e simplificação científicos são apenas um método para uma fase inicial da descoberta e apenas isso. Não são de modo nenhum as únicas ferramenta a usar.

1.1 - Os alicerces da História
Desde o triunfo do Enciclopedismo, precursor cronológico (ou talvez algo mais) do que foi a Revolução Francesa, que se desenvolveu o sentimento, natural, da existência daquilo a que se chama “Progresso”. Daqui se gerou, talvez por associação ao próprio espírito revolucionário, uma nova liberdade criativa e uma confiança nas capacidades Humanas. Mas gerou também uma necessidade de tudo explicar, e na ausência de explicações, de classificar o desconhecido. E, também ainda, de aceitar hipóteses como explicações quanto mais não fosse pelo medo da Ignorância. Tal como a “natura abhora vacuum” era uma explicação fisica psicológicamente necessária também a “ciencia abhora ignorantia” é o fundamento de um novo comportamento mental, em expansão, coerente com a nova visão, pública, do lugar do Homem no Mundo.
O Enciclopedismo triunfou até aos nossos dias de muitas formas para lá da classificação da natureza, na ausência de conhecimento e tentando substitui-lo: sistematizando o objecto da sua atênção. Subsistiu, no entanto, como um esquema mental que sobrevive no sistema educativo, e em algumas ciências menos afins com o método experimental (por impossibilidade) mas sugeitas ao seu espírito e à Razão. A História é uma delas.
A fragilidade da História como Ciência de pleno direito reside quer na sua matéria-prima (registos históricos credíveis) quer no seu passado Enciclopedista (gerador de multiplos erros).
Ora vejamos:
Registos reduzidos: Por regra não há registos escritos ou foram destruidos. Quando os há referem-se a acontecimentos de caracter limitado (batalhas, nascimentos, casamentos, legislação, artefactos). Registos falseados: Quando há um registo escrito temos apenas uma versão reflexa do escritor, e do seu meio. Condicionada a ele, à sua análise e aos seus enganos (voluntários ou não).
Inércia das Hipóteses de trabalho: A antiguidade das ideias modela o edifício sobre o qual novas hipóteses são criadas reforçando-o e dando uma falsa noção de solidez. Erros são mantidos mesmo quando reconhecidos como tal. Mais grave se torna se forem base de posteriores hipóteses.

1.2 - Os Periodos da História Humana

1.2.1 - Um breve olhar sobre um problema
Descreve-se vulgarmente a História da Humanidade como um processo evolutivo, crescente mas não continuo desde uma evolução biológica a uma evolução técnica.
Mas nem uma nem outra é pacífica:
A Evolução Biológica é ameaçada por um Cro-Magnon de caracteristicas fisicas (e intelectuais?!?) semelhantes às de hoje no Mundo Ocidental (cranio de 1500 cm3 em vez da actual média de 1400cm3).

Um filósofo grego? É apenas uma reconstrução de um Cro-Magnon a partir de um crânio.

O CroMagnon Apareceu e desapareceu misteriosamente, mas a hipótese mais provavel para o seu desaparecimento parece-nos ser que tenha sido ‘absorvido’ pelo Homo Sapiens menos capaz mas mais prolífero, e mais agressivo, existindo hoje expresso no património genético global do Homo Sapiens actual e com expressão ocasional e pontual.
A Hipótese da Evolução Tecnológica Contínua e Progressiva também é ameaçada pelos chamados OPAs (“Out of Place Artifacts”) assim como inúmeros erros na sequência das IDADES ocorridos no seculo XIX por falta de conhecimento interdisciplinar dos seus proponentes, natural no seu tempo até finais do seculo XX.

1.2.2 - Idades da pedra
A pedra lascada é referida como sendo o primeiro instrumento e por isso mesmo como o limiar entre o Humano e o seu predecessor evolutivo. Merece por isso ser o nome da primeira Idade Humana seguida pel a Idade da Pedra Polida, denotando refinamento e evolução técnica aos olhos dos historiadores de sec. XIX.
No entanto é simples de constatar que uma pedra lascada como qualquer lasca de vidro quebrado é superiormente cortante em relação a qualquer lamina polida. Confirmam-no os Biólogos que para obterem lâminas ultra-finas para observação em Microscopia Electrónica usam um pedaço de vidro lascado em vez da lamina de aço polido usada em Microscopia Óptica.

1.2.3 - Idades dos Metais
Coloca-se a “do Bronze”, metal mais maleável, mas menos duro, seguida da “do Ferro”, superior em termos militares. A evolução é compreensível no sec XIX.
Mas, na verdade, qualquer metalúrgico nos dirá que a metalurgia do bronze é muitissimo mais dificil que a do ferro por o bronze se tratar de uma liga.
Mas não é só: É que pela oxidação diferenciada entre os dois a camada de oxido no bronze é mais protectora que a do ferro sendo essa uma das razões por este metal ser mais resistente à oxidação… e portanto mais durável que o ferro.
Por estes dados será de estranhar que as datas dadas para Inicio das “Idades” seja PROPORCIONAL à resistência destes metais à corrosão? Sabemos hoje o suficiente para concluir que a base da datação das Idades, e o seu próprio conceito, são um erro. Pois se não encontramos objectos anteriores, base da datação, é porque simplesmente não resistiram à corrosão.
Mas os dados estão lançados e estas novas considerações falam por si, como se espera em ciência. Aceites por sumidades, por força da razão, elas continuam, por força de inércia, a ser ignorados.

1.2.4 - Uma proposta
Do que somos, como nos vemos, depende o que fazemos… e vice-versa!
Desde a visão actual do Homem como: OU resultado do meio (versão actual da ideia de tábua rasa); OU resultado de características inatas (aparentada com a concepção mais antiga de habitáculo da alma); a Verdade é bem menos cartesiana… pode ser uma conjugação de ambas que nos confunde na procura de explicações verbalizadas e, por isso mesmo, destituidas de relação com uma realidade que se afigura distinta do Verbo e logo distorcida por este. O abstrato não é o concreto, o que é fonte de paradoxos aparentes como todos os paradoxos são: aparentes!
A mesma relação há entre a palavra e o abstrato, fonte de enganos… e entre a palavra e o concreto, fonte de equívocos. Esclarecido este triangulo de relações, que perturba a relação do Homem com o seu Mundo (e consigo mesmo), podemos mais fielmente procurar e entender o espírito de Ciência, na sua pureza, livre de compromissos entre a força da realidade social dos homens. Só então distinguiremos os 3 pilares básicos da ciência: - Discernimento, Razão e Verificação. Podemos então debruçar-nos sobre as relações entre o Humano e o seu Cosmos, externo e interno, almejando compreender o que sabemos (de acontecimentos registados) na sua verdeira e complexa dimensão: a Humana!